Verão de 74 - Cinema
- Naiara Harry Oficial
- 14 de ago.
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Atualizado: há 7 dias
O Portal da Solidão - filme
1974 foi um marco: ver o mar pela primeira vez, o despertar do primeiro amor aos 15 anos um set de filmagem. Essa mistura de juventude, liberdade e emoção, o cinema de Alberto Ruchell e Débora Duarte com O Portal da Solidão, criaram memórias que ficaram gravadas para sempre, como se cada detalhe fosse parte de um filme pessoal.
Caetano, Zeffirelli, Alberto Ruchell e o primeiro amor.
Naquele verão, cinematográfico e musical aprendi a amar e também que não se esquece esse amor. Descobri que existem distâncias, infâncias, desejos e saudades. O primeiro amor nasceu ali, entre as areias brancas e o mar verde de Torres. O sol do meio-dia queimava minhas costas, o céu azul parecia infinito, ele, meu Romeu, me olhava com ternura. O beijo chegou devagar, seco e suave, e até hoje sinto a importância e a alegria daquele instante. No verão de 74, Caetano Veloso cantava, Debaixo dos Caracóis dos Teus Cabelos e o sol, o mar, faziam festas de garagem, no cinema Zeffirelli nos fazia encharcar lenços e lenços de lágrimas pelo amor shakespeariano de dois adolescentes, tudo isso estava comigo sentada na areia de frente pro mar quando meu coração disparou: ali bem na minha frente um deus, saía do mar puxando uma prancha era o meu Romeu, veio pra me fazer feliz no tempo que dura as férias de uma adolescente em família.
Sem percebermos, o veraneio chegava ao fim. Meus pais preparavam a partida, e a ruptura aconteceu. O sol morreu, o mar escureceu e o céu chorou comigo. Não lembro se o meu Romeu chorou, só lembro do silêncio dentro de mim. Na viagem de volta, meu mundo parecia acabado.
O tempo cumpriu seu papel: trouxe novos amigos, festas, novos amores. No final dos anos 70 ainda tentei contato. Uma voz feminina me disse que o meu Romeu estava fora do país, estava casado, pastor da igreja metodista. Mais uma vez meu mundo ruiu. Nunca mais liguei. Passei algumas vezes em frente à igreja metodista da minha cidade, nunca mais o encontrei. Também casei, tive filho, escolhi outros amores. O cinema, o teatro, a literatura, Shakespeare e a família fizeram minha vida mais criativa.
Anos mais tarde, uma notícia levou embora o que restava dele em minha vida: o voo 1907 da Gol apagou para sempre o sorriso lindo do meu Romeu, garoto lindo que me deu um bombom e me beijou no verão de 74.



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